Privilégios da branquitude LGTBQIA+

Existe um lugar de privilégio dentro da comunidade LGBTQIA+, que é constituída pela
branquitude de classe média alta, onde se definiu um padrão estético de
representatividade.
Existe o pacto branquitude que domina o movimento LGBTQIA+, segrega e produz
mais violências sobre outros corpos LGBTQIA+ dissidentes dos corpos Cis Brancos
inseridos nesses espaços.
Onde a diversidade do arco-íris não chega a todes, mas mantém sempre ativo os
mesmos padrões de dominação dessa sociedade patriarcal onde vivemos.
A branquitude LGBTQIA+ não está disposta a reconhecer seus privilégios e dialogar
para construir um lugar onde de fato exista diversidade entre nós. O machismo, racismo,
transfobia e tantas outras violências se enraízam entre nós.
Quantas das nossas ancestrais Travestis e Bixas pretas, que muitas vezes colocaram a
cara para bater por nossas vivências LGBTQIA+, resistiram tanto pelo movimento
LGBTQIA+ quanto pelo movimento Negro.
Foram usadas para luta e depois que as batalhas foram ganhas, cuspidas e rejeitadas
com A GENI. Eu penso em Marsha P. Johnson, Bayard Rustin, Audre Lorde, Simon
Nkoli e tantas outras que resistiram por nós e tiveram suas histórias apagadas. Suas
vozes silenciadas.
Quando eu vejo filmes igual Stonewall (2015), vejo o quanto se reforça o apagamento
de pessoas Negras LGBTQIA+ e sempre coloca o gay branco no protagonismo.
Eu fiz uma postagem de um trecho do livro da professora @meggrayaragomesde aqui
no meu pefil, muitos compartilharam e, assim como eu, se sentiram acolhidos pelas
palavras da professora.
Só que teve um outro movimento nos comentários, formado por Gays Cis Brancos que
nem acompanham meu trabalho, mas que fizeram questão de vir no meu perfil me
desmerecer e tentar invalidar o trabalho da professora Megg, uma Travesti Preta e
primeira Travesti Negra Doutora formada do Brasil.
Isso só reforça pra mim o racismo e a Transfobia que existe dentro do movimento
LGBTQIA+ gerado pela branquitude.
Quando o mês do orgulho chega, percebemos quais são os corpos LGBTQIA+ que as
marcas, programas etc. procuram para definir a representatividade do movimento.

Texto de Diego Mesquita (@diegodosuburbio) publicado em 23 de junho de 2022 pelo
perfil da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) no Facebook.

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